
A empresa levou cerca de 16 anos para obter reconhecimento no mercado financeiro
Até a jornalista Bethany McLean fazer as provocantes perguntas: “Como a ENRON ganha dinheiro”? “Não seriam suas ações caras demais”? Tais artigos foram publicados na revista Fortune, com o objetivo de incitar o questionamento de como essa valorização acontecia; qual era a explicação para uma empresa vender lotes de ações por preços tão exorbitantes. Porém não obteve reconhecimento na época, decorrente do encantamento geral provocado pela empresa. A todo o momento, funcionários, investidores e pessoas humildes, eram encorajados, principalmente por Skilling, a investir tudo o que tinham na empresa.
As explicações surgiriam. Descobriria-se que a empresa utilizava artifícios não lícitos para manter suas ações no topo. Através de um método contábil denominado “Marcação a Mercado”², contabilizavam lucros futuros em seus balanços atuais – constantemente manipulados por

Visando lucrar ainda mais, propuseram ao governo da Califórnia a desregulamentação³ da energia; e como forma de pressionar os residentes a pagarem o preço, chegaram a provocar um blecaute geral – motivo de piada interna na organização.
O processo que abrange a história da ENRON, se analisado minuciosamente, poderá revelar muito além de números mal contabilizados, falcatruas e manipulações. Talvez nos revele segredos de vida, ou ainda, psicologicamente falando, peculiaridades mentais inerentes aos gestores da empresa que nos remete à filosofia de Tom Morris acerca dos alicerces para a excelência humana, que podem e devem ser aplicados na esfera profissional: apesar da Beleza estética dessa grande corporação, não havia Unidade entre Diretores, clientes e funcionários, e talvez a falta da Bondade de alguns, tenha provocado a escassez da Verdade para muitos. Sem falarmos no claro exemplo da falta de Responsabilidade Social Corporativa, evidenciada no desfecho do caso.
Paradoxalmente à sua ascensão, a ENRON não precisou de tempo superior a algumas semanas para anunciar falência total em dezembro de 2001, deixando milhares de pessoas que haviam investido tudo o que tinham com aposentadorias, previdência e benefícios e agora não restava mais nada além de um prédio vazio. Os responsáveis e co-responsáveis tomaram rumos distintos, cada um recolheu os lucros que conseguiram, venderam seus lotes enquanto puderam e além de fugas e suicídio, ocorreu em maio de 2006, a condenação de Ken Lay e Jeff Skilling por conspiração, podendo chegar a aproximadamente 45 e 185 anos de prisão, respectivamente. Entretanto Ken Lay foi encontrado morto na cidade de Aspen (Colorado) na manhã do dia 05 de julho em decorrência de um provável ataque cardíaco. O pronunciamento da sentença de Lay estava previsto para a segunda quinzena de outubro daquele mesmo ano.